Com a acidez cínica que lhe conduzia a reflexão e com o génio que lhe guiava a pena, Eça de Queiroz urdiu uma narrativa que oferece mais uma plêiade de personagens memoráveis, arquétipos de uma sociedade doentia. O clero é ridicularizado pela sua hipocrisia e venalidade. O povo, retratado nas beatas, é arrasado pela ignorância e obscurantismo. Os poderosos são caracterizados pela sabujice. O Crime do Padre Amaro é um retrato crítico do Portugal rural do século XIX, mas não é uma caricatura tão desfocada quanto isso da sociedade actual, embora os novos pastores de massas não vistam batina e os pastoreados do presente utilizem mais o polegar para navegar nas redes sociais do que para se persignarem. Uma obra de intervenção social em que o escritor ciceroneia o leitor no que considera o caminho certo para derrubar os muros da opressão: a genuína bondade, rastilho da solidariedade, e as luzes da ciência, por oposição às trevas da superstição religiosa. Como qualquer clássico que realmente o seja, O Crime do Padre Amaro, envelheceu muito bem. Fantásticas 500 páginas da literatura portuguesa! |
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01 janeiro 2021
Leituras: O Crime do Padre Amaro
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